Pedido de insolvência pelo credor

O pedido de insolvência é um instrumento legal utilizado pelos credores para solicitar judicialmente a declaração de insolvência de um devedor.

Este processo está regulamentado pelo Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (CIRE) e visa garantir a satisfação dos créditos dos credores quando o devedor se encontra em situação de insolvência.

Quando Deve o Credor Pedir a Insolvência

De acordo com o artigo 20.º do CIRE, um credor pode requerer a insolvência do devedor quando este se encontre em situação de insolvência.

A situação de insolvência é definida pelo artigo 3.º do CIRE, que considera insolvente o devedor que se encontra impossibilitado de cumprir as suas obrigações vencidas.

Os credores devem considerar pedir a insolvência do devedor nas seguintes circunstâncias:

  1. Cessação de Pagamentos: Quando o devedor cessa o pagamento das suas obrigações principais.
  2. Insuficiência de Ativos: Quando o ativo do devedor é manifestamente inferior ao passivo.
  3. Incumprimento Generalizado: Quando o devedor incumpre, de forma reiterada, as suas obrigações perante diversos credores.

Petição Inicial

A petição inicial deve cumprir os requisitos estabelecidos pelo artigo 23.º do CIRE e pelos artigos 552.º e 558.º do Código de Processo Civil (CPC).

A petição deve incluir:

  1. Identificação das Partes: Nome, morada e demais dados de identificação do credor e do devedor.
  2. Fundamentos do Pedido: Exposição clara e detalhada dos factos que comprovam a situação de insolvência do devedor.
  3. Provas Documentais: Documentos que comprovem a existência da dívida e a incapacidade do devedor de cumprir com as suas obrigações (por exemplo, títulos de crédito, contratos, cartas de cobrança).
  4. Pedido: Solicitação formal ao tribunal para que declare a insolvência do devedor.
  5. Valor da Ação: Indicação do valor pecuniário do crédito reclamado pelo credor.

Procuração

Se o pedido de insolvência for apresentado por intermédio de um advogado, é necessário anexar uma procuração, conforme os artigos 40.º e 264.º do CPC.

A procuração deve conferir poderes ao advogado para representar o credor no processo de insolvência e deve ser assinada pelo credor ou pelo seu representante legal.

Taxa de Justiça

A taxa de justiça é um montante que deve ser pago para a instauração do processo de insolvência.

Esta taxa está regulamentada pelo Regulamento das Custas Processuais (RCP).

O valor da taxa de justiça varia consoante o valor da ação, sendo calculado de acordo com a Tabela I anexa ao RCP.

O pagamento da taxa de justiça deve ser efetuado no momento da apresentação da petição inicial e o respetivo comprovativo de pagamento deve ser anexado ao processo.

Tribunal de Comércio

O tribunal competente para julgar os pedidos de insolvência é o Tribunal de Comércio, nos termos do artigo 15.º do CIRE.

Em áreas onde não exista Tribunal de Comércio, a competência recai sobre o Tribunal Judicial de Comarca com competência em matéria cível.

CREDORES E CLASSES DE CREDORES

O Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (CIRE) estabelece regras detalhadas sobre os direitos e deveres dos credores, assim como a classificação destes em diferentes classes para efeitos de satisfação dos créditos.

Classes de Credores segundo o CIRE

Os credores no processo de insolvência são classificados em diferentes categorias, tal como estabelecido nos artigos 47.º a 51.º do CIRE.

Estas classes determinam a prioridade e o modo de satisfação dos créditos.

As principais classes de credores são:

  1. Credores Garantidos
  2. Credores Privilegiados
  3. Credores Comuns
  4. Credores Subordinados

Credores Garantidos

Os credores garantidos são aqueles cujos créditos são assegurados por garantias reais, como penhores ou hipotecas.

De acordo com o artigo 47.º do CIRE, estes credores têm direito a ser pagos com preferência sobre o produto da venda dos bens que constituem a garantia, após deduzidas as despesas da massa insolvente.

Exemplos incluem um banco com uma hipoteca sobre um imóvel do devedor ou uma instituição financeira com penhor sobre equipamentos.

Credores Privilegiados

Os credores privilegiados são aqueles que, por força da lei, têm um privilégio especial ou geral sobre determinados bens do devedor.

Este privilégio pode ser mobiliário ou imobiliário e está previsto no artigo 48.º do CIRE.

Exemplos incluem créditos laborais, que têm privilégio geral sobre todos os bens do devedor, e créditos fiscais, que têm privilégio especial sobre os bens móveis do devedor.

Credores Comuns

Os credores comuns, também denominados credores quirografários, são aqueles cujos créditos não beneficiam de qualquer garantia real ou privilégio especial.

Estes créditos são satisfeitos após o pagamento dos créditos garantidos e privilegiados, conforme disposto no artigo 49.º do CIRE.

Exemplos incluem fornecedores de bens e serviços que não têm garantias específicas sobre os bens do devedor.

Credores Subordinados

Os credores subordinados são aqueles cujos créditos são subordinados aos dos credores comuns, conforme estabelecido no artigo 50.º do CIRE.

Estes créditos só são satisfeitos após o pagamento integral dos créditos das outras classes.

Exemplos incluem créditos de sócios ou acionistas resultantes de suprimentos feitos à empresa ou empréstimos subordinados.

Implicações Legais das Classes de Credores

A classificação dos credores em diferentes classes tem várias implicações legais, especialmente no que se refere à ordem de satisfação dos créditos no processo de insolvência:

  1. Prioridade de Pagamento: A prioridade de pagamento é determinada pela classe do credor. Credores garantidos e privilegiados têm preferência sobre os credores comuns e subordinados.
  2. Participação no Processo: Cada classe de credores tem o direito de participar no processo de insolvência, apresentando as suas reclamações de créditos e votando no plano de insolvência ou de recuperação, conforme os artigos 128.º a 136.º do CIRE.
  3. Acordos de Reestruturação: A classificação dos credores influencia a negociação e aprovação de acordos de reestruturação, onde os credores de diferentes classes podem ter interesses distintos e votar separadamente.

O pedido de insolvência é um passo crucial no processo de insolvência, regulado minuciosamente pelo CIRE para assegurar a proteção dos direitos dos credores e a justa administração dos bens do devedor.

A correta elaboração da petição inicial, o cumprimento dos requisitos formais e o pagamento da taxa de justiça são essenciais para a admissibilidade do pedido.

A competência dos Tribunais de Comércio garante uma tramitação especializada e eficiente dos processos de insolvência, promovendo a equidade e a justiça.

É Importante Notar: É imprescindível procurar os melhores advogados especializados em Insolvências.